terça-feira, 30 de abril de 2019

Areia, eu e tu
Todos grãos no areal
A pensar, eu e tu
Sobre verdade, bem e mal
Sobre tempo, fumo e tudo
Sobre vento, ar e nada
Cada um de nós, mudo
Cada um de nós, nada

Alguns, duros e fortes
Muitos jamais saberão
Não dão conta dos cortes
Assim vai a erosão

A seu tempo cada um veio
A seu tempo todos irão
E enquanto isso, no meio 
Tanta e tanta confusão

Alguns grãos ousam
Com o vento voltar
Ao nada donde vieram
À imensidão do mar
Nós outros que cá ficamos
Vivemos a contemplar
Que ondas são estas 
E qual nos irá levar
Será agora, será nunca
Ter-me-ão já levado?
Nunca saberei nadar
Enquanto estou deste lado

Grão de areia, na praia pousado
Que pensas e pensas como ser
Não há ciência num grão de areia
Repara, o mar não sabe existir

Ao sol escorro e seco
Uma e outra vez,
Enquanto os grãos escorrem
Um de cada vez
Sobre a vida na ampulheta
Que na água se formou
Só há uma coisa certa
É que à água sempre tornou

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