domingo, 3 de maio de 2020

Uma explosão em silêncio
De fumo negro e lento
Em contra-relógio
Em contratempo
Contra o mundo
Contra tudo e
Contra mim

Não sei onde estou
E nem sequer sei
Onde me perdi
Não sei onde vou
Tão pouco sei
De onde é que vim
Porque é que errei
E porque é que achei que
Faria sentido para mim

Tão desesperante vontade
De não sei bem o quê
Ilusão instintiva de agarrar
Algo neste espaço vazio
Por onde caio em queda-livre
Afogado, rio sem fundo nem cais
Ah, todo o peso do mundo é mais
Do que eu consigo aguentar

Não sei o que é real
Talvez descubra se
Espancar um espelho
Vir os nós das mãos
Lacerados como eu
Cortados e perfurados
Em feridas de onde, livre
Escorre sangue abundante
Raiva momentânea
Sensação talvez real
Partir até cair
Exausto, a rir
E chorar, loucura
Finalmente real
Finalmente certa
Finalmente sem medo
Finalmente final

Nojo e raiva, eu
Não sirvo para nada
Para quê tudo e
Porquê nada

Merda de poema
Não sei se me odeio

Farto

Esta vida de merda
Em cima de ombros
Direitos pela sociedade
Fodam-se!

Não sei se caio
Ou esvaio
Em sangue

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