Toda a gente tem
Toda a gente, mas
Ninguém tem
Ninguém.
Quem quer
saber, também?
O fumo cansado que dança na contraluz
De um candeeiro esperançosamente ligado
Sou eu, um ínfimo na entropia do universo
Um vulto tenebroso da vasta escuridão
Brinca a vida na inconsciência
Ri a morte da consciência
Cada vez mais isolar
Arrepio de calor, da
satisfação de perceber -
isola como em 'ilha',
neste mar de merda
a realidade, que é irreal
finge tão completamente
que chega a fingir que é real
a irrealidade que deveras mente
comigo, que nem tente, tenho
olhos que, eu, deus, me dei
que uso sempre que vou e venho
à mentira hilariante, eu sei
a verdade, estou sóbrio, de
tão drogado!
vibração, luz e dopamina
e ilusão e risos, e farto
dessa merda, de todos
que me deixem em paz
nasci sozinho, assim
hei de viver, assim
hei de, sim, morrer
maravilha dos céus,
única coisa que, por
um ínfimo segundo,
me ilude, antes de
me lembrar que é
tão falsa como tudo
e retorna à entropia
incessante, inevitável,
de onde veio, para onde
regressa, para onde tudo
se encaminha, como um
buraco negro (que mais) de
tantos e tantos newtons que
tudo engole, num
final final feliz feliz
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