domingo, 12 de setembro de 2021

neutralidade triste

Toda a gente tem

Toda a gente, mas

Ninguém tem

Ninguém.

Quem quer 

saber, também?


O fumo cansado que dança na contraluz

De um candeeiro esperançosamente ligado

Sou eu, um ínfimo na entropia do universo

Um vulto tenebroso da vasta escuridão

Brinca a vida na inconsciência

Ri a morte da consciência


Cada vez mais isolar

Arrepio de calor, da

satisfação de perceber -

isola como em 'ilha',

neste mar de merda


a realidade, que é irreal

finge tão completamente

que chega a fingir que é real

a irrealidade que deveras mente

comigo, que nem tente, tenho 

olhos que, eu, deus, me dei

que uso sempre que vou e venho

à mentira hilariante, eu sei

a verdade, estou sóbrio, de

tão drogado!


vibração, luz e dopamina

e ilusão e risos, e farto

dessa merda, de todos

que me deixem em paz

nasci sozinho, assim

hei de viver, assim

hei de, sim, morrer


maravilha dos céus,

única coisa que, por

um ínfimo segundo,

me ilude, antes de

me lembrar que é

tão falsa como tudo

e retorna à entropia

incessante, inevitável,

de onde veio, para onde

regressa, para onde tudo

se encaminha, como um

buraco negro (que mais) de

tantos e tantos newtons que

tudo engole, num 

final final feliz feliz

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