E não só o meu
E o teu, e o céu,
O amor morreu
Morreu-lhe o véu.
E o réu sou eu,
És tu, sou eu.
Sou eu, sou eu, sou eu
Repensa o pensar meu
Se ao menos eu...
Se eu, se eu, se eu
Mas o amor morreu
Conta ninguém deu
Só eu, só eu, só eu?
Não!, o amor morreu
Cedeu, cedeu, cedeu
Morreu e não gemeu-
Ninguém ouviu.
Durante anos comeu,
Cresceu, cresceu, cresceu,
O amor viveu!
Mas depois, choveu,
Choveu, choveu, choveu,
No fim, teve o que mereceu
Ferveu que nem um ateu
Ardeu, ardeu, ardeu,
Não sobreviveu, pereceu
Ninguém se precaveu,
Ninguém se apercebeu,
Mas o amor apodreceu
E, como ele,
Também eu, também eu, também eu
Não faz mal, já aconteceu
Resto agora só eu,
Só eu, só eu, só eu
Percebê-lo doeu, doeu, doeu.
O mistério morreu,
O interesse morreu,
O especial morreu.
De repente, na descrença do apogeu,
Pergunta o pensar meu:
Mas alguma vez se deu?
E respondo-lhe eu
Que parece que não leu
Palavras que, em tempos,
Escreveu, escreveu, escreveu
Assim, para descanso do eu,
Pensemos que aconteceu.
Mas, disto, algo me convenceu:
O amor morreu
Ai morreu, morreu, morreu
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